25/04/2016

Mentoria: Fatos e Fatores (3/3)

No último artigo da série nós trataremos dos aprendizes. Eu atrasei propositalmente o último artigo da série para trazer o resultado de uma pesquisa que iniciei na segunda semana.

Todos nós somos aprendizes, não importa em que etapa de nossa carreira; a capacidade de sempre aprender e evoluir é o diferencial entre profissionais de qualquer área. O discernimento de encontrar quem saiba mais que você sobre determinados assuntos e que seja capaz de auxiliá-lo a desenvolver estes pontos é crucial para a evolução de sua carreira.

Na última semana eu conversei com alguns mentores e fizemos uma enquete sobre o que esperamos de nossos aprendizes. Da mesma forma, conversei com diversos aprendizes de diferentes grupos e pesquisei quais os seus maiores problemas na obtenção e retenção de novos conhecimentos. O artigo de hoje foi escrito baseado na compilação dos dados desta enquete.

Os aprendizes sempre estão no elo mais fraco da cadeia: precisam lidar com o tempo escasso de seus mentores, discernir se o que está aprendendo pode ser aplicado ou não para a sua realidade, decodificar mensagens crípticas fornecidas por alguns mentores entre outros problemas. Vendo por este lado parece que não vale a pena seguir um mentor, mas existe um limite do que se pode aprender sozinho ou em um treinamento formal.

Existe um limite do que se pode aprender sozinho: livros são impessoais, criados para atender o maior número de realidades e tipos de leitores possíveis tornando seu conteúdo muito aberto a interpretações incompletas ou erradas. Você pode até aprender novas teorias, mas a curva de aprendizado e aplicação se torna um fator impeditivo na maior parte dos casos. Treinamentos formais, apesar de se ter uma figura humana conduzindo o treinamento, tem por objetivo atender um grupo heterogêneo. Mesmo com a figura do instrutor para auxiliar, sua ajuda é limitada ao que o treinamento visa oferecer e diluída entre os outros estudantes.

Para se extrair o melhor do processo de mentoria, os seguintes pontos devem ser observados:

  • Sempre crie documentação de suas sessões: identifique tudo que seu mentor necessita para dar uma resposta e os itens que são considerados dispensáveis. Isto auxiliará as futuras sessões serem mais produtivas;
  • Nunca vá despreparado para as suas sessões com seu mentor: colete o maior número de informações e verifique quais serão utilizadas ou não. Caso você considere uma informação importante ou crucial, questione seu mentor do porque a mesma não é relevante;
  • Nunca questione seu mentor sobre um assunto sem estudar o tópico antes: o prévio domínio sobre a teoria irá auxiliar a absorver mais rápido o que seu mentor tem a oferecer;
  • Seja humilde: você está recebendo um auxílio de alguém que você define como mais experiente. Mesmo que você não concorde com a resposta, lembre-se que a experiência profissional de cada um é única. Caso a informação recebida não seja procedente, demonstre a razão e fatos que corroborem com sua opinião, mas sempre tente entender a visão de seu mentor;
  • Seja meticuloso: colete todas as informações que seu mentor tem para lhe oferecer. Monte um case de como você utilizou as informações para resolver a situação e entregue a ele na conclusão para mostrar seu progresso. Este processo também auxiliará na detecção de falhas no processo e permitirá um maior aproveitamento do aprendizado;
  • Por último, mentoria é um processo de parceria: nem todas as parcerias são produtivas e não é vergonha em encerrar um processo de mentoria que não renda frutos.



Com isto, fecho o ciclo de artigos sobre mentoria. Devo dizer que foi gratificante trabalhar neste tópico já que as interações com outros mentores e aprendizes mais uma vez auxiliou meu crescimento. Estou à disposição para críticas ou esclarecimentos.

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