11/04/2016

Mentoria: Fatos e Fatores (2/3)

Continuando o tópico, neste artigo trataremos sobre Mentores, suas obrigações, expectativas e mitos relacionados a posição. Citei sobre diferenças entre o trabalho de mentoria e coaching no artigo passado, mas existem outras situações controversas a serem analisadas.

É senso comum que o mentor divide sua experiência e visão para que seus aprendizes sejam capazes de evoluírem e consigam superar os obstáculos de suas vidas profissionais para que alcancem um patamar semelhante ao seu. Parece ser fácil e gratificante, mas não é exatamente o caso.

Da mesma forma que nem todas as pessoas são capazes de lecionar, nem todo profissional tem condições de ser um mentor eficiente: existe um equilíbrio em como cada questão de seus aprendizes devem ser tratadas para fornecer uma resposta adequada para o caso específico que ele apresenta. Ainda sobre isto, as respostas de um mentor nunca devem ser genéricas para atender todos seus aprendizes, mas com detalhes específicos que forneçam ferramentas para que cada indivíduo seja capaz de aprender e executar (o que nos leva ao próximo tópico).

Talvez o mais importante sobre este assunto: um mentor JAMAIS deve lidar com seu aprendiz como se fosse seu empregado. Um mentor deve estar próximo de seus aprendizes e ter conhecimento suficiente de suas vidas pessoais para saber como fatores externos influenciam em seu trabalho e suas decisões. Também deve estar preparado para fazer comentários fora de sua zona de conforto e falar algumas verdades, sempre questionando por que seus aprendizes ainda não alcançaram o patamar desejado após suas últimas sessões. Seu único objetivo é fazer com que eles possam progredir e andar por suas próprias pernas, e isto não é fácil.

Como citei na parte um desta série, um dos maiores benefícios de ser um mentor é a possibilidade de se renovar constantemente graças as experiências de seus aprendizes e das situações que você irá colaborar com a solução, mas este não é o único benefício. A medida que o mentor evolui na carreira, seus melhores aprendizes também estarão evoluindo e uma rede de novos profissionais está sendo estabelecida com material humano que já demonstra ser de confiança.

O mais difícil de ser um mentor é saber qual é o seu papel verdadeiro: você será um pouco pai, professor, chefe, babá e outros pequenos papeis, mas JAMAIS poderá ser definido por isto. Apesar de você ensinar, deve dar o caminho e não a solução. O mentor irá manter seus aprendizes no caminho que pretendem alcançar, mas não pode ultrapassar limites, sabendo quando desistir de investir em uma determinada direção e explicando a razão da decisão: nem todas os profissionais conseguem alcançar determinados patamares de suas profissões.

Para finalizar este tópico, listo aqui algumas das coisas um grande mentor deve se dedicar:

  • ·         Escute: Antes de sonhar em ser um mentor, você deve ser capaz de escutar as necessidades de seus aprendizes. Um dos maiores desafios deste tópico é saber que nem todas as pessoas são boas em expressar o que realmente querem ou precisam. Um excelente mentor é capaz de ler nas entrelinhas e descobrir o que seus aprendizes realmente precisam;
  • ·         Seja um modelo: Se você quer que seu aprendiz seja algo, você sempre deve estar um passo acima. “Faça o que eu digo, não faça o que faço” não funciona nestes casos. Nada causa mais impacto que guiar utilizando seus próprios exemplos.
  • ·         Sempre jogue nos dois lados: Não existe uma pessoa que não possa crescer com a experiência dos outros;
  • ·         Seja dedicado: Apesar dos mentores terem suas obrigações diárias, sua posição exige que você estará lá quando seus aprendizes necessitarem de você;
  • ·         Seu aprendiz pode ser qualquer um, em qualquer lugar: Mentoria se define no preenchimento de lacunas de conhecimento, então basta ser possível executar sua função corretamente e estar disponível mesmo que virtualmente;
  • ·         Tenha paciência: Lidando com outras pessoas sempre é uma caixa de surpresas. Como você estará em uma posição aonde deverá criticar posições, temperamentos podem ser um problema e sua paciência será testada constantemente;


Aprendizes normalmente são vulneráveis e começam o processo com muitas necessidades e deficiências, então existe todo um trabalho para treinar os mesmos a trabalhar em um ritmo ideal para as duas partes. Empatia não se ensina, mas se desenvolve.


No próximo artigo falaremos sobre como ser um bom aprendiz. Até a semana que vem.

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