04/04/2016

Mentoria: Fatos e Fatores (1/3)

Hoje o processo de Mentoria é comum, mas nem sempre foi assim em diversos lugares (como no Brazil). Apesar do conceito ser antigo, era muito comum o corporativismo impedir a comunicação vertical e os profissionais eram limitados a uma comunicação estrita ao seu superior direto e com muita engenharia social era possível uma comunicação horizontal com outros superiores. Hoje isto é passado para muitas empresas e lugares, mas muitos profissionais não têm ideia de como o processo de Mentoria funciona: ambos os lados não conseguem cumprir seus papéis e normalmente não conseguem cumprir seu papel corretamente.

O processo de Mentoria não é unidirecional: ambos os lados podem e devem crescer e se envolver em novas experiências a cada interação. Apesar de parecer direcionado para o Aprendiz, o Mentor também tem a oportunidade de utilizar casos apresentados como um exercício para utilizar todas as suas ferramentas em um belo exercício mental para afiar suas habilidades e, muitas vezes, lembrar de situações que já não fazem mais parte de seu dia a dia.


Antes de descrever o papel esperado de cada uma das partes, acho importante listar o que a Mentoria deve se propor e o que nunca se deve fazer:

O papel crucial de qualquer Mentor é ser capaz de dar um feedback neutro para o seu Aprendiz, mas ainda assim deve ser crítico e, muitas vezes, deixar claro o seu papel: não de amigo ou professor. A Mentoria deve permitir que o Aprendiz se torne mais seguro de seus passos e fornecer novos caminhos para resolver situações de formas mais simples. O papel do Mentor é de assegurar que seu Aprendiz consiga lidar com as situações fora de sua zona de conforto.

É importante também não confundir o papel do Mentor com o papel do Coach. Coachs tem como objetivo principal ajudar o processo de raciocínio de seus discípulos em uma determinada direção, conhecer melhor sua capacidade e guiar seu processo de tomada de decisões. O Coach executa um trabalho extremamente focado nos conceitos da psicologia organizacional enquanto o Mentor divide a sua experiência profissional com seus Aprendizes, auxiliando no desenvolvimento de carreira de seus Aprendizes.

Como Aprendiz, nunca espere tempo irrestrito ou manuais de instruções do seu mentor pois com certeza ele tem um tempo restrito para poder te auxiliar: tome nota do que for necessário e aprenda a extrair o máximo com menos.

Como Mentor, nunca espere que seu aprendiz consiga entender sempre as suas referências: isto pode ser frustrante e com certeza levará ao desgaste da relação. Tenha paciência e encontre uma forma de transmitir a mensagem até que o método de comunicação se torne eficiente.

Como último tópico desta primeira parte, nunca julgue a idade de seus mentores/Aprendizes: todos temos algo a compartilhar com os nossos pares e experiências são conquistadas independentemente da idade. Apesar de ser comum a procura de pessoas com mais experiência profissional, não se deve ignorar as pessoas próximas a sua faixa etária, que convivem problemas mais próximos aos seus.

Nos vemos na semana que vem com a segunda parte deste post.

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