12/07/2012

Os Cavaleiros do Zodíaco



Ele chegou. Enfim, o aguardado game dos Cavaleiros do Zodíaco para PlayStation 3 está entre nós. Tudo bem que ele saiu no ano passado no Japão e em março na Europa, o que rendeu ao público brasileiro um bom tempo de espera. Por que esperar? Porque a versão vem com legendas em português e tal. Mas será que o jogo, como um todo, vale a pena?


Um game baseado nos personagens não é exatamente novidade, já que eles estão por aí desde a época do NES. Mas somente na era do PlayStation 2 é que começamos a ver Seiya e seus amigos em jogos oficialmente lançados no Ocidente. Aqueles dois que foram lançados para o antigo console da Sony são até legais, mas passam longe de serem imperdíveis.

Tudo bem, tudo bem, são jogos imperdíveis para quem é fã. Afinal, fã é fã e geralmente vai consumir tudo relacionado aos personagens, ao menos em sua grande maioria. Este novo título segue essencialmente a mesma linha dos dois anteriores em relação à qualidade de produto para fã. Imperdível para fã. E somente para eles.

Os Cavaleiros do Zodíaco: Batalha do Santuário é um título de ação em terceira pessoa que, como o nome diz, adapta a famosa Saga do Santuário, onde nossos famosos heróis têm a missão de percorrer as 12 casas zodiacais, enfrentar os cavaleiros de ouro e assim salvar a deusa Atena que foi atingida por uma flecha mortal. O game não se preocupa muito em situar quem não conhece a história, então, se você desconhece os eventos, é recomendado dá uma pesquisada na internet antes.

O modo campanha começa exatamente neste ponto da flecha, mas não mostra quem a atirou, porquê, e nem explica os motivos dos personagens estarem ali, naquele momento. De certa forma, isso já confirma logo de cara que se trata de um legítimo produto para fã. Afinal, quem é fã já vai saber toda a história e realmente nem precisa de muita explicação – basta partir para a porradaria que vai se desenrolar logo em seguida.

Mas não sejamos injustos: o game faz um bom trabalho em situar o jogador em relação à jogabilidade. Já que a primeira casa é a de Áries, regida por um cavaleiro que é aliado dos heróis, não há uma luta propriamente dita. Mu de Áries aproveita para ensinar a Seiya (e também ao jogador) os principais comandos, golpes normais, especiais, defesa e tudo o que se desenrola em torno da jogabilidade. O tutorial é até bem longo, e cobre e ensina bem os pontos principais, sem deficiências.

A partir do início do caminho para a segunda casa zodiacal é que o jogo mostra sua verdadeira faceta: temos aqui uma espécie de game inspirado na série Dynasty Warriors, onde precisamos avançar e avançar, derrotando hordas e hordas de inimigos que surgem adiante e não terão a menor piedade de atacar ao mesmo tempo.

O clima da jogabilidade é inicialmente caótico, já que os heróis vão enfrentando muitos soldados rasos ao mesmo tempo, que evoluem de poder e de ameaça ao longo do jogo. No início é simples derrubá-los com um simples Meteoro de Pégaso, mas a coisa se complica se o jogador não aprender a dominar combos, defesas, esquiva e outras técnicas de combate.

No geral, a jogabilidade nesta parte é básica, mas oferece um bom desafio, apesar das lutas não serem tão difíceis. O problema começa a surgir mais adiante, quando avançamos algumas casas na história e continuamos enfrentando os mesmos soldados rasos. Mas vamos tocar nesse ponto mais adiante – agora o ponto principal primeiro, como são os combates contra os temidos Cavaleiros de Ouro? É neste momento que nasce um dos problemas do jogo.

Os Cavaleiros de Ouro são como eles deveriam ser (pelo menos nessa etapa do anime): temidos, indomáveis, poderosos, rápidos. Um deles pode aplicar um golpe de forma tão rápida que pega seu personagem desprevenido, mas a dificuldade de combate contra eles sobe a níveis alarmantes e o jogo se torna bastante desbalanceado.

Muitos vão alegar que há o segredo de sempre para vencê-los: assim como no anime, é necessário atacar quando o inimigo baixar a guardar para aplicar um golpe. É verdade, mas esse sistema nem sempre funciona. Entenda que os Cavaleiros de Ouro possuem uma barra de energia que ocupa toda a tela e seus golpes normais (socos e chutes) praticamente não sugam nada dessa barra.

Claro, os clássicos golpes especiais são extremamente necessários para vencer estes inimigos. É praticamente impossível avançar sem eles, mas você vai ficar em uma repetição tremenda e seus dedos cansarão com certeza. A principal dica é encher a barra de cosmo do personagem, ativar o Sétimo Sentido e aplicar um golpe especial – assim a energia do inimigo é bem prejudicada, mas até entendermos isso já tomamos uma bela surra.

A intenção dos Cavaleiros de Ouro é realmente serem oponentes difíceis, custosos de se vencer, mas de nada adianta se a batalha não for prazerosa. Neste momento o jogo não oferece aquela dificuldade gostosa, no estilo Demon's Souls, que te deixa feliz quando se avança, e sim aquela dificuldade boçal, que só te deixa com ainda mais raiva e frustração.

Para completar, alguns jogadores vão sofrer com as batalhas de chefe simplesmente porque elas se dividem em três ou quatro capítulos ininterruptos. Na casa de Câncer, por exemplo, você precisa enfrentar Máscara da Morte quatro vezes seguidas. E entenda enfrentar por ''derrubar toda a barra de energia do inimigo'' – quatro – vezes – seguidas. Sem a opção de desligar o videogame e continuar de onde parou na batalha.

Há um sistema de Continues, que são gastos em toda a batalha. Nesse esquema você pode voltar da morte de um personagem e com a barra de energia do inimigo onde parou, mas sem nenhum tipo de mudança adicional, seja no poder do personagem ou no do inimigo. Em alguns momentos, quando o herói volta da morte, é possível ativar um golpe especial mais poderoso, com animação exclusiva e que dá um dano adicional considerável.

Visualmente, as batalhas são um deslumbre. Os cenários das 12 casas variam de acordo com o cavaleiro que você está enfrentando (flores na casa de Peixes, rostos nas paredes na casa de Câncer, e por aí vai) e os efeitos dos golpes são muito belos e as batalhas são bem animadas e agitadas, com um verdadeiro clima de desenho japonês.

Infelizmente, o problema da jogabilidade repetitiva nas batalhas dentro das casas se estende para os outros cenários do jogo. No caminho que as separa você vai encarar uma série de soldados infindáveis em determinadas seções dos cenários e vai cansar com isso. Chega um momento em que o jogo se torna simplesmente sem sentido, perdendo sua diversão. Um esmagar de botões para todos os lados que vai te fazer cansar com poucos minutos.

Mas há qualidade em Batalha do Santuário, e elas serão vistas apenas pelos fãs. Apesar da repetitividade nas lutas, os controles respondem bem e os comandos não são estranhos (e ainda existem opções para deixá-los bem mais simplificados, totalmente acessíveis). Até certo ponto o jogo é bem fiel ao desenho, o que é muito bom. Cenários, personagens, cenas e até diálogos são exatamente os mesmos do seriado. Existem variações, como a presença de subchefes entre as casas que não estão na obra original (que tal enfrentar os Cavaleiros Negros na frente da casa de Gêmeos?), mas são coisas perdoáveis por conta do conjunto geral da obra – em termos de história.

De qualquer forma, vale ressaltar que essas inclusões praticamente descabidas (centenas de soldados antes das casas, subchefes saindo do nada) foram feitas para prolongar mais o jogo. Se não fosse assim, Batalha do Santuário iria durar, no máximo, umas 3 horas, já que cada Cavaleiro de Ouro você pode derrotar com um tempo médio de 13 minutos. Não que o jogo tenha um modo de história muito extenso, mas valeu a intenção.

Por falar em aumentar a duração do jogo, Batalha do Santuário tem belos extras. Galeria de imagens com os bonecos da linha Cloth Myth, galeria de artes 3D dos personagens e até um modo cooperativo, que é onde se concentra o multiplayer do jogo. É aqui que um segundo jogador se junta à ação, mas não para participar da história, e sim das chamadas ''missões''.

As missões nada mais são do que lutas contra poderosos inimigos que devem ser concluídas da forma mais perfeccionista o possível, principalmente levando-se em conta o tempo de conclusão (há um ranking online para isso). É possível jogar sozinho ou com um amigo – e com um amigo é mais divertido, até porque é possível configurar o jogo para que os golpes possam atingir um ao outro, o que vai deixar as batalhas bem mais cuidadosas, lembrando a era dos beat'em up dos anos 90.

Muito se falou por aí sobre os gráficos de Batalha do Santuário, classificando-os como datados e parecidos com gráficos de PlayStation 2. Na verdade, eles não chegam a ser tão datados assim. Quem afirma isso precisa dar uma bela olhada nos jogos da série lançados no PS2 e ver que este novo está bem mais bonito, um outro nível. Mas é claro que não estamos falando de um nível Gears of War ou Uncharted. São gráficos apenas competentes – afirmação que vale para os personagens, pois os cenários (fora das casas zodiacais) são meio sem vida.

Já a parte sonora do game abre espaço para algumas críticas: a dublagem dos heróis não é totalmente feita pelos mesmos atores do desenho original. Sim, estamos falando das vozes japonesas mesmo. Alguns fãs mais hardcore gostam de lembrar dos nomes e das vozes que compunham o elenco, e você não vai ver o lendário Toru Furuya na voz de Seiya. Ao menos temos os menus e legendas traduzidos para o português, e bem traduzidos. Todos os golpes estão com seus nomes conhecidos no Brasil e a legenda não tem erros gritantes.

Outra crítica que cabe ao som está na trilha sonora. Enquanto a versão japonesa tem todas as músicas retiradas do anime, as versões ocidentais do jogo possuem uma trilha sonora genérica, com exceção da abertura, que é a boa e velha Pegasus Fantasy. Não sabemos porque raios a Namco Bandai fez essa mudança, que existe mesmo na edição europeia, e acaba prejudicando a experiência.

Por conta de sua fidelidade e com grande dose de nostalgia, Os Cavaleiros do Zodíaco: Batalha do Santuário é um jogo imperdível, mas só se você for um grande fã da série e que gosta de ter, comprar, jogar tudo que envolve os personagens. Se você busca um bom jogo de ação no estilo ''Dynasty Warriors'' este não é um bom exemplar, que aos olhos de alguém que nunca curtiu muito a série vai parecer um simples jogo nota ''meh''. Apesar das falhas, o game fez acender em nossos corações uma fagulha de KOSUMO em prol de Masami Kurumada e nos lembrou das noites acompanhando a Saga do Santuário até a casa de Leão, quando começava a reprisar tudo de novo. Que fase!

Nenhum comentário: