19/07/2012

Deus EX: Human Revolution



"Deus EX: Human Revolution" cumpre bem todas as promessas e expectativas que criou, modernizando a cultuada grife criada por Warren Spector, mas sem perder a identidade. O título mistura bem a jogabilidade de games de tiro em primeira pessoa com elementos de RPG, espionagem e também diálogos ao estilo "Mass Effect" e "Elder Scrolls IV: Oblivion" permitindo moldar a aventura e personagem como bem quiser para acompanhar a intrigante história. Com múltiplos finais, escolhas morais e uma bela direção artística, é um dos melhores games desta temporada 2011.


Criada em 2000 nos PCs, pelo game designer Warren Spector (hoje funcionário da Disney), a franquia "Deus EX" marcou época ao mostrar um futuro dominado pela tecnologia, muito parecido com o estilo cyberpunk consolidado por William Gibson e seu livro "Neuromancer" e outros escritores.

Mais do que isso, mesclou elementos de gêneros bem distintos, como tiro com visão em primeira pessoa, RPG e adventure. "Human Revolution" busca modernizar a franquia, mostrando um cenário 25 anos antes da aventura original e agora com mais elementos de ação.

Ambientado em futuro não muito distante, com tecnologia avançada, em especial na área da robótica, ao melhor estilo "Blade Runner", "DEX: HR" trata dos conflitos político e moral que cercam a questão de próteses que permitem melhorar habilidades dos seres humanos. Seriam elas a próxima etapa na evolução ou estariam esses avançados equipamentos tecnológicos despindo as pessoas de seus instintos e sentimentos? Até que ponto alguém pode ser modificado e continuar humano?


Essas questões gerais servem como palco para outras histórias, como o passado do protagonista Adam Jensen, a busca por cientistas capturados e outros arcos menores que tornam o mundo de "Deus EX" um lugar rico e interessante de explorar.

Para completar, a história ainda oferece certa dose de liberdade para o usuário, já que suas decisões morais e eventuais falhas ou sucessos em objetivos ativam outras missões, que levam a diferentes lugares e personagens.

De maneira mais acentuada, "Human Revolution" é um game de tiro em primeira pessoa com fortes elementos de stealth e pitadas de RPG, o que se faz notar mais pelo acúmulo de experiência e evolução de habilidades.

Por mais que não seja absolutamente excelente em nenhum departamento, o game faz um bom trabalho em unir isso tudo de maneira divertida e competente. Por mais que você prefira atacar como um Rambo e sair atirando em tudo no cenário, as habilidades de espionagem são fáceis o bastante de utilizar para você cogitar usar em uma missão ou outra - e vice-versa.

É possível evoluir livremente as habilidades de Jensen, moldando-o de acordo com seu estilo e deixando-o melhor para hackear computadores e fazer tudo mais na surdina, ou talvez utilizar melhor armas de fogo e assim por diante.

Por fim, há muitos diálogos com múltiplas escolhas que afetam o desenrolar da trama, seja de maneira sutil - como abrir uma missão paralela a mais ou barganhar uma recompensa - ou mesmo crucial para a trama - definindo quem serão as pessoas de confiança de Jensen, por exemplo.

Perto de outros games com visão em primeira pessoa, "Human Revolution" não é nenhuma proeza gráfica, mas acerta em cheio na direção de arte.

Cada ambiente é retratado com grande quantidade de detalhes, que ajudam a tornar a Detroit, China e outros lugares futuristas do game em cenários críveis, cheios de vida. Predominam nas fases tons de cinza e laranja, que reforçam a sensação de se estar em "um futuro em que nem tudo deu tão certo como deveria".

Em um mundo em que shooters de primeira linha duram lá cerca de 8 a 10 horas, é reconfortante ver como "DEX: HR" faz pelo menos o dobro com um mínimo de esforço. A trama principal é extensa e envolvente e há um sem número de missões adicionais para colecionar que aumentam ainda mais a duração.

O bacana é que o game ainda oferece diversas escolhas morais que afetam o desenrolar da história e as missões oferecidas, o que incentiva a voltar mesmo depois de terminar e explorar mais um pouco o mundo futurista do título.

Apesar dos cenários bonitos, detalhados e variados, "DEX: HR" é uma lástima no que se refere a modelos humanos. Os bonecos são simplórios, cheios de movimentos robóticos que ainda por cima se repetem à exaustão durante a trama - você vai cansar de ver Jensen cruzando os braços enquanto conversa com alguém e pessoas falando com uma das mãos esticadas, como se fosse dar um golpe de caratê, por exemplo.
Diante do trabalho tão bom feito em outras partes, este problema tira um pouco do brilho da produção.

A intricada trama do jogo é uma que vai se revelando aos poucos, lentamente... até completar mais ou menos 3/4 da brincadeira. Daí para frente, a impressão é que a equipe da Eidos Montreal teve de se apressar para terminar o game no prazo, o que resulta em informações aos montes sendo jogadas para o usuário, assim como várias revelações importantes feitas sem lá muito impacto.

Alguns personagens acabam sendo descartados sem muita explicação, algumas pontas ficam soltas e o final perde um pouco do impacto - mas não deixa de tornar a trama toda interesssante, de maneira geral.

Durante todo o game há um equilíbrio perfeito entre tiroteios, espionagem e coisas para resolver na base do papo... menos nos embates contra chefões. São apenas três durante todo o game, mas quebram completamente o ritmo, oferecendo unicamente uma jogabilidade de shooter e desprezando praticamente todas as habilidades sociais, hackers e de espionagem. Quem for pelo caminho da porrada deve encontrar poucos problemas com estes trechos, mas quem optar por criar um Jensen mais sorrateiro deve penar nestas partes, tendo que lidar com armas mil que quase não usa e se vendo até obrigado a comprar habilidades que não queria só para conseguir avançar no jogo.

Abraços e até o próximo post.

Nenhum comentário: