21/06/2012

Max Payne 3


“Max Payne 3” traz de volta o ex-policial Max Payne, um cara que teve uma vida difícil e acabou se entregando às bebidas e aos antidepressivos. Ele acaba sendo contratado como segurança particular de uma família de ricaços da capital paulistana e se envolve com corrupção, tráfico e outros crimes comuns do país do futebol.

Ao lado do amigo e companheiro Raul Passos, Max descobre que no Brasil existem discrepâncias que nós, moradores e cidadãos, estamos acostumados a ver em nosso dia-a-dia. Exemplos não faltam, como ricos morando ao lado de uma favela, o futebol que é adorado como uma religião e policiais corruptos que sempre arrumam uma forma de “ganhar um por fora”.

A Rockstar conseguiu capturar e transportar o clima de filme noir para um jogo. As cenas de corte são fortes e incisivas, sempre narradas por Max e seu jeito debochado de quem que não liga pra nada do que acontece ao seu redor.
Os diálogos, brilhantemente legendados em português do Brasil, são adultos e carregados de palavrões e impropérios absurdos. Max ouve os nativos e não entende o que eles dizem. Ele retruca e o bandido não entende. Na verdade a língua comum no jogo é o disparo de um revólver calibre .38 ou de um rifle AK 47 – idioma de fluência mundial nos jogos de tiro.
São 14 capítulos que, entre idas e vindas, mostram como Max chegou a São Paulo e os motivos pelos os quais ele acabou saindo dos EUA, se envolvendo com a rica família Branco e o submundo do centro financeiro do Brasil. Isso tudo sem largar seu estilo de vida destrutivo, depressivo e melancólico.
Antes de qualquer coisa, a cidade de São Paulo não foi fielmente retratada. É mais uma visão poética da Rockstar para contar a história do jogo. Mesmo não sendo verossímil, é possível ver locais que remetem aos da capital, como o Terminal Parque Dom Pedro II, no centro; os prédios de alta classe do bairro do Morumbi, logo ao lado da favela do Paraisópolis e o estádio do time fictício “Galatians”.

Algumas outras licenças podem parecer uma viagem de quem usou os psicotrópicos de Max, mas são compreensíveis e até superadas devido à grande trama que faz o jogador aprofundar-se cada vez mais. O resultado final é bacana e até quem mora na cidade vai acreditar que existe uma favela chamada Nova Esperança – e manter distância de lá, é claro.


‘Sentar o dedo’ no gatilho em “Max Payne 3” é poesia em movimento  - e com direito a muito bullet time (um efeito especial que deixa tudo em câmera lenta). Muitos vão estranhar de usar o botão círculo no PlayStation 3 (ou B no Xbox 360) para recarregar e quadrado (X no console da Microsoft) para usar a proteção. Mas depois de alguns minutos você estará pulando e atirando como em um filme de Quentin Tarantino.

Sabemos que existem padrões em jogos de tiro, como correr para uma proteção e atirar nos inimigos. A diferença é que “Max Payne 3” é um jogo à moda antiga e Max não tem fator de cura: ele ainda usa uma barra de energia para mostrar ao jogador que ele está próximo à morte.


Essa dificuldade não chega ser frustrante. Na verdade, se você morrer três vezes em seguida no mesmo checkpoint, o jogo vai ajudar dando remédios e munição para suas armas. Assim, por mais dificil que seja, você conseguirá passar de qualquer fase.


O uso da câmera lenta já não é novidade no mundo dos games, mas a Rockstar conseguiu polir a mecânica para que o jogador não fique enjoado de saltar e atirar inúmeras vezes do início ao fim do jogo.


Mesmo assim, existem cenas pré-determinadas nas quais Max se mostra ser o homem de meia-idade mais em forma que existe. Ele usa cabos, telhados e qualquer outro ambiente para deslizar em direção ao inimigo com o bullet time ativado, dando uma maior carga dramática à cena.


Uma coisa que muitos nem sequer imaginavam é que o modo multiplayer de “Max Payne 3” fosse algo para se dar atenção. Ledo engano, pois esta é a modalidade que vai manter o jogo em seu console por muitos e muitos meses. Além dos tradicionais death matches de time e solo, o game tem dois modos que são sensacionais: Payne Killer e Guerra de Gangues.


Em Payne Killer, dois jogadores são designados a serem Max Payne e Raul Passos, o objetivo dos outros jogadores é dar cabo deles. Quem joga com os personagens especiais tem mais bala, resistência e remédios para se curar dos ferimentos. Já os assassinos ganham mais pontos por dar o último disparo nos heróis e ainda têm a honra de tomar seu lugar contra os outros jogadores.


O Guerra de Gangues funciona como um pot-pourri que mistura defender a base, roubar a mala (como capturar a bandeira), plantar a bomba, defender o VIP e outras variações de modos de jogo que contam pontos até chegar ao ápice em um final que define o vencedor em um mata-mata entre times.


Até aí tudo bem, mas o que ninguém esperava é que este modo tem uma história própria que é contada por Max, agentes da polícia ou mesmo por repórteres.


Além disso, todos os modos multiplayer contam com habilidades especiais que podem ser usadas para ajudar a equipe virar a mesa, como aumentar a resistência a disparos, os danos causados pelas armas e até mesmo aumentar a duração do bullet time.


Por falar nisso, o bullet time, que deixa tudo em câmera lenta afeta somente quem está diretamente sob a sua mira, dificultando a reação de quem será alvejado. Quem está fora do campo de ação fica com a movimentação mais lenta, mas a velocidade de mira não é alterada e isso pode – e será – usado contra quem gosta de disparar como se fosse um herói de cinema.



Abraços e até o proximo post.

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