19/04/2011

Atrasar iPhone 5 afeta Apple e favorece Android

A história é conhecida. Alguém compra um smartphone, tablet ou notebook. Um mês depois, descobre que seu aparelho ficou ultrapassado porque surgiu um modelo muito melhor e mais potente pelo mesmo preço.

Isso acontece o tempo todo, e tende a provocar sentimentos negativos no consumidor, que se sente traído pelo fabricante. Mesmo assim, para a indústria de eletrônicos, apresentar novas gerações de produtos a intervalos curtos é crucial para ter sucesso.

Uma história que ilustra muito bem isso é a do iPhone 5, nova geração do smartphone da Apple, prevista para o segundo semestre. A Apple usualmente anuncia uma nova geração do iPhone todos os anos, geralmente no segundo trimestre. No entanto, em março, circularam notícias de que a empresa atrasaria o lançamento do iPhone 5. Imediatamente, os analistas de Wall Street começaram a reajustar para baixo as projeções de resultados da Apple.

O banco de investimento Jefferies, por exemplo, estimou, num relatório divulgado no fim de março, que o atraso deve levar a Apple a vender 15% menos smartphones no período de junho a setembro. Isso fará o número total de smartphones comercializados neste ano fiscal, que termina em setembro, cair 4%. Já a estimativa para o preço das ações da Apple em setembro foi reduzida em 5% pelo banco.

A concorrência aperta

O iPhone ainda é o smartphone mais desejado pelo consumidor. É o padrão pelo qual os demais aparelhos são avaliados e continua sendo o campeão em facilidade de uso. Mesmo assim, não há dúvida de que os celulares baseados no Android já o deixaram para trás em alguns aspectos.

Os modelos mais avançados com o sistema do Google possuem processador mais potente; câmera de maior resolução, capaz de filmar em full HD; acesso a redes celulares de quarta geração, que permitem navegar mais velozmente na internet; e até transceptor NFC, com o qual vai ser possível fazer pagamentos apenas aproximando o aparelho do terminal de caixa. O iPhone 4 não tem nada disso. E, se a Apple demorar para substituí-lo por um modelo mais atual, essa lista só tende a crescer.

Alguns desses avanços tecnológicos, como a câmera que produz fotos e vídeos de melhor qualidade, trazem benefícios imediatos, enquanto outros podem não ter utilidade no momento.

O uso do NFC, por exemplo, ainda depende de as empresas de meios de pagamento implantarem uma rede de terminais compatíveis nos estabelecimentos comerciais. É algo que não deve acontecer – ao menos não em larga escala – neste ano. Mas, para o consumidor, não ter esse recurso no smartphone pode trazer o temor de que o aparelho fique obsoleto quando os terminais vierem. Assim, muitos vão achar que é melhor garantir-se comprando um modelo com NFC.

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