14/05/2009

Soberba Inanimada

Sempre acreditei que soberba fosse um sentimento exclusivo do ser humano. Ao que parece empresas também podem ter sentimentos como esse. Digo isso pela notícia que li ontem no jornal Wall Street Journal. Dizia lá que outra empreitada publicitária do Google (o gigante da internet) deu errada.
O que aconteceu foi o seguinte. Tentando aumentar a sua rentabilidade, o Google se aventurou nas mídias tradicionais (veículos de comunicação impressos ou fora dos meios digitais), primeiro com revista, meio importantíssimo não somente nos EUA, mas em qualquer lugar do mundo com publicidade de verdade, e logo depois com a tentativa de entrar nos meios de rádio-difusão, justamente o tema da matéria que li.
O problema não foi a tentativa do Google em explorar outras maneiras de buscar mais rentabilidade, isso é até comum nos mercados mundiais (exemplos como a Time-Warner, MSN/NBC, Virgin e no Brasil a Rede Globo) que são empresas que capilarizam e muito seus serviços e produtos para ganhar cada vez mais e diminuir, por conseqüência, a concorrência de veículos menores ou com menos credibilidade. O problema mesmo foi a soberba, aquele sentimento de “Eu sou e posso mais que todo mundo” que o Google apresentou. O que ele fez?
Simplesmente quis mudar o “formato da roda” no mercado. Tentou impor o mesmo formato de compra de mídia que faz no Adwords para os dois meios. Claro que não deu certo, e não deu por dois motivos. Primeiro que o mercado já funciona de outra forma há muito tempo, é o veiculo que determina o seu valor baseado em inúmeros fatores que não cabem neste momento dizer. Segundo porque o Google esqueceu que não é porque funciona em um ambiente, funcionará em outro. Se não fosse assim, os formatos de publicidade na internet, bem como suas contratações, seriam os mesmos dos meios tradicionais e por conta disso, nem o Google com seu fabuloso Adwords funcionaria.
Então foi simples como 2+2. Todos os veículos que o Google propôs este formato foram unânimes e uníssonos no Não que disseram ao gigante da internet, os anunciantes (Le-se as agências de publicidade) simplesmente ignoraram o fato, pelo simples motivo que era impossível saber quantas pessoas viram ou ouviram o anúncio. O formato do Google Adwords não cabe numa mídia tradicional, onde as formas de controle e avaliação são bem diferentes de um simples clique numa ferramenta de busca.
Fica aqui o alerta para todo profissional ou empresa que busca se aventurar em outros mercados. Não tenha a sensação de Golias que o Google teve quando quis aumentar seus lucros. Só porque você é bom demais num lugar, não significa que pode simplesmente querer mudar tudo, para ficar do jeito que você quer, só porque você quer.
Agora sinto falta da época que soberba era algo exclusivo do ser humano, parece que não é mais assim. Apesar que empresas são geridas por pessoas, que tem sentimentos, portanto o problema também é nosso, profissional ou não.

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